segunda-feira, 19 de abril de 2010

RENOVADO NO SENHOR

Eu já vinha de dias difíceis espiritualmente em decorrência de vários problemas eclesiásticos a minha volta, acusações uma atrás da outra, escândalos, líderes encobrindo a sujeira de outros se sabe lá por quê? Irmãos devorando uns aos outros e muito mais...
Tudo isso já vem abatendo meu coração, causando tristeza, desanimo e extinguindo minhas forças.
O problema maior não é este, pois se temos a certeza de se tratar de problemas localizados e específicos temos a esperança de uma solução.
O grande problema é quando percebemos uma “septicemia”, uma “metástase” desta doença horrenda e muita mais que mortal que é o pecado.
Quando isso acontece a tendência é de a esperança se esvair, a chama começa a se extinguir, o dia se torna em noite.
É mais ou menos isso o que tem acontecido comigo, não bastasse o que tem acontecido a minha volta, minha caixa de e-mails é bombardeada com notícias como as que seguem:

- Davi Sacer anuncia desligamento do Trazendo a Arca (Logo após se desligar do toque no altar para montar este ministério);

- Durante anos tenho compartilhado vários testemunhos. Em quase todos eles acrescentei mentiras. “Alguns deles são totalmente mentirosos” (trecho de comunicado de Davi Silva, da Casa de Davi);

- Bispo da IURD ensina a arrecadar dinheiro e a 'negociar' com bandidos;

"Ando ganhando muito mais piscadelas de garotas nos shows do que no passado” (Jennifer Knapp, estrela ascendente da música cristã que assumiu a homossexualidade na semana passada).

- Bispo da IURD responde as denúncias da Folha de São Paulo;

- Culto vira palanque político de Garotinho;

- Em Manaus, o evangelho tem sido usado para um verdadeiro estelionato. “Contamos com você para denunciar tudo isso” (Tony).

O que pensar? O que fazer? O que sentir?

“Até quando Senhor, clamarei eu, e tu não escutarás? ou gritarei a ti: Violência! e não salvarás? Por que razão me fazes ver a iniqüidade, e a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há também contendas, e o litígio é suscitado. Habacuque 1.2-3”

“Em meio à dor e a solidão minha alma se consome de tristeza, ela se apega ao pó” [1].
Assim tem estado minha alma, já não tenho nenhuma esperança, é como se tudo tivesse deslizado morro a baixo como na tragédia do Rio de Janeiro, más:
“À noite ao me deitar, me lembrei de teu nome ó Senhor, lembrei que perto estás e que quando clamo de todo o coração, Tu ouves a minha voz”
[2].

Amém!!! É isso que tem sido meu oxigênio em meio à imersão de coisas que nunca imaginei viver em meio à igreja, sim, pois muitas destas coisas não as vivi mesmo nos piores dias de minha vida pregressa a Jesus.

Lendo os textos tema da edição atual de Ultimato, “Deus não está calado”, recobrei minha esperança ao ver que Deus jamais se cala e minha oração neste momento é “FALA MESMO SENHOR!!!”

A Deus toda Glória

Pr. Nilton de Oliveira



[1] Paráfrase salmo 119

[2] Idem

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

QUERIA SER MENOS SANTO

MT. 15:23 – “... Seus discípulos vieram a ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos.”

Esta atitude dos discípulos de Jesus diante de uma mulher gentia que os incomodava não é restrita somente a eles.
Nós os “santos” evangélicos também não gostamos de nos misturar com os “gentios”, porque somos muito mais santos, muito mais “salvos”, melhores doutrinariamente, melhores teologicamente entre outros que os demais cristãos e outros mortais que não nos misturamos muito menos nos envolvemos com eles.

Quando olho para a vida de pessoas como Zilda Arns Neumann, coordenadora internacional da Pastoral da Criança que acaba de perder a vida se dedicando aos outros. Uma Senhora de 75 anos, médica, rica, poderia estar fazendo tantas coisas, mas ao contrário de nós os “santos” se preocupava o com o sofrimento alheio.

Acho que gostaria de ser menos “santo”, assim acho que me envolveria mais com as pessoas.

Se fosse menos “santo”, acho que me aproximaria mais das pessoas e me sensibilizaria com suas dores e sofrimentos.

Menos “santo” acho que ficaria menos com os olhos voltados para o alto me imaginado no céu e olhando para a terra talvez me compadecesse dos que não tem esperança de vida nem aqui, quem dirá no céu e me achegaria a estes.

Se fosse um pouco menos “santo” acho que me preocuparia menos com as picuinhas eclesiásticas de nos desgastam e tomam todo nosso tempo e sobraria algum para dedicar a ouvir o solitário, o desamparado, o sem esperança, o depressivo e outros.

Gostaria de ser menos “santo”, assim desceria de meu pedestal de exaltação sacro e me humilharia colocando-me a altura dos demais e com isso poderia os olhar nos olhos e ler os seus corações sofridos e carentes de migalhas de atenção e esperança.

Menos “santo” não desperdiçaria minhas forças em embates com outros de minha “santa” espécie sobre a cor da parede do templo ou a liturgia do culto, o estilo do louvor, a maneira correta da escola dominical, eleições entre tantas e focaria todo este esforço em assistir ao cansado, o órfão, a viúva e tantos outros pequeninos.

Enfim, gostaria de tentar imitar Jesus, que subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz.

A Deus toda glória

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Recupenrando a esperança!

Recupenrando a esperança!

Texto: Lm. 3:1-26

Pr: Nilton Santos de oliveira

O que tem levado as pessoas hoje a perderem a esperança?

Em que você tem depositado sua esperança?

Em nosso texto base Nabucodonosor destrói toda a cidade de Jerusalém, captura o povo de Israel os levando para o exílio, e Jeremias descreve aqui todo o seu sofrimento, seu lamento e sua dor por tamanha destruição, humilhação e sofrimento do povo nas mãos de um tirano gentil.

As suas casas, seus gados, amigos, filhos, mulheres destruídos e dizimados.

Há também na tristeza do profeta uma dor relacionada à apostasia da nação, eles haviam abandonado a Deus e estavam entregues as suas paixões e pecados e isso causava grande sofrimento a Jeremias também.

Esta dor e tristeza são tamanhas que leva Jeremias a declarar nos versos 18-20 que a sua vitalidade esvaiu, acabou. A palavra glória aqui pode ser traduzida por “Seiva” a qual a árvore não sobrevive sem ela.

Ele declara: Aquilo que me dá vida acabou, já não vejo nenhuma esperança para mim e meu povo, já estou desesperado e abatidon não tenho mais esperança nem mesmo em Deus.

Para muitos uma situação como esta de Jeremias poderia levar até mesma a abrir mão de viver, mas não é isso que ele faz, ele dá uma ginada em sua vida. O que muda a atitude do profeta? O que lhe dá forces para recuperar a esperança de viver?

Jeremias se lembra dos atributos de seu Deus, ele traz à memória quem é o Deus de Israel, e isso começa a transformer auqela apatia em vida, o desanimo em vontade de viver.

Reflita:

Nos momentos mais difíceis e angustiantes de sua vida, lembre-se quem é o seu Deus!

Como vimos na devocional passada, Jeremias se lembra de algumas de algo que muda o sentido de sua vida naquela situação, ele declara:

QUERO TRAZER À MEMÓRIA O QUE ME PODE DAR ESPERANÇA.

A tradução literal deste verso é: Eu vou fazer voltar ao meu coração o que me dá esperança.

Jeremias em meio a tempestade se lembra de algo que lhe alimentava e era o combustível para uma vida saudável e tranquila e declara então que vai colocar isso novamente dentro do seu coração, porque é isso que vai lhe dar esperança em meio a tudo isso que está acontecendo.

Jeremias se lembra das características de seu Deus:

I – Ele é misericordioso (heb. chesed) – verso 22a

A pesar de tudo, de nosso pecado, nossas negligências e qualquer outra situação, não somos consumidos, pois este Deus é misericordioso, este atributo faz parte de seu caráter, faz parte de sua essência.

O profeta se vê em grandes dificuldades, mas lembra que ele e seu povo não serão consumidos porque o seu Deus é um Deus de misericórdia.

Ou seja, o seu perdão não acaba ele está sempre ao nosso alcance.

Jeremias lembrando-se disso entende que aquele não era o fim de Isral.

II – Ele é compassivo (heb racham) – verso 22b

A palavra traduzida aqui na parte “b” do verso por misericórdia tem o sentido de compaixão ou carinho.

As suas misericórdias são a causa de não sermos consumidos e isso porque o seu carinho, a sua compaixão não tem fim.

Compaixão é um sentimento que leva alguém a sentir na pele o sofrimento do outro, ele está dizendo não somos consumidos porque este Deus está sentindo na pele o que eu sinto, ele é pessoal e se coloca em meu lugar, el epode entender o meu sofrimento, sabe muito bem o que estou passando.

Servimos a um Deus que se importa conosco ao ponto de se colocar em nosso lugar para sentir o que sentimos e a conseqüência última disso foi sua ida à cruz em nosso lugar.

Quando a esperança estiver se esvaindo, traga estas verdades novamente para dentro de seu coração.

Jeremias segue a partir do verso 23 se lembrando que o seu Deus, o Deus de Israel também é:

III – Ele é fiel – verso 23

Jeremias sabia que o seu Deus é fiel, que Ele não pode mentir e que havia feito promessas a seu povo e que iria cumpri-las.

Deus já havia profetizado pela boca do próprio Jeremias que chegaria um dia que o Senhor firmaria uma nova aliança com esta casa e que esta seria inquebrável.

Jr. 31:31-33 - Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.

Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR.

Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.

Deus havia prometido pela boca do próprio Jeremias um concerto com Israel e Ele iria cumprir.

Lembre-se em meio a crise que o seu Deus irá cumprir as promessas que tem feito a você em sua vida.

IV – Ele é a sua herança – verso 24

Jeremias entendeu que não precisava ficar aflito por nada, pois este Deus era a sua herança, ele era a sua porção. E Jeremias sabia que ele havia ficado com a melhor parte.

O salmista no salmo 16:2 declara:

Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente.
Uma versão católica diz:
Digo a Deus: Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim.

Ou seja, este Deus era a fonte de sua felicidade, esta herança é o que trazia alegria e vigor mesmo em meio à crise.

Em meio a tempestade lembre-se que o melhor de Deus ainda está por vir!

Os atributos de Deus não param por ai, o profeta coloca dentro de seu corações outras verdades que ele tinha conhecimento sobre seu, ele também é:

V – Ele é bom – verso 25

Para os que esperam Nele!

Interessante esta colocação, e é isso que trouxe tranqüilidade ao profeta, ele sabia que este Deus é bom para as pessoas que esperam Nele e Jeremias mesmo estando em meio a um povo corrompido continuava a esperar em Deus, mesmo quanto seus amigos lhe abandonaram, as pessoas zombavam dele, sua postura foi de confiança e espera em Deus.

Ele sabia que esta bondade de Deus iria lhe alcançar.

VI – Ele é o seu Salvador – verso 26

Como já lemos em Jr. 31:31-33, Jeremias sabia que este Deus iria lhes salvar, iria concertar toda a situação e por isso ele levanta a cabeça em meio a crise e muda de postura.

Ele chega a conclusão de que diante de um Deus com todas estas características e sendo este Deus seu salvador o melhor é esperar Nele a sua salvação e isso em silêncio, ou seja, sem murmurar pois ele confiava as coisas já estavam todas resolvidas na eternidade.

Que terminar lembrando as palavras de outro homem que chegou a este mesmo entendimento de Jeremias, o Apóstolo Paulo.

Romanos 8:26-39 “… Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou

perigo, ou espada? ... Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou

convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Está difícil a luta? A sua esperança já se foi? Já não vê mais saída?

Salmo: 37:5 - Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quando o bem se cala, o mal ecoa!

“Julio Severo, um dos ativistas pró-vida e pró-família mais proeminentes do Brasil, fugiu do Brasil para escapar do Ministério Público Federal que está atrás dele depois que uma queixa de “homofobia” foi registrada contra ele por sua cobertura desfavorável da parada gay de 2006, de acordo com Severo”.

Fonte:
http://noticias.gospelmais.com.br/ativista-cristao-julio-severo-foge-do-brasil-para-escapar-de-acusacoes-de-homofobia.html

Recebi com espanto e temor a notícia acima, lendo toda a matéria e o post de Severo em seu blog comecei a me perguntar quem é que está exercendo preconceito? Severo por replicar aquilo que a Bíblia diz a milhares de anos a qual acreditamos ser a Palavra de Deus, ou o Ministério Público Brasileiro, por defender os interesses de um grupo em detrimento de outro sem mesmo que alguma legislação sobre tal “Homofobia” seja aprovada e implantada no Brasil?

O que percebo é que estão querendo criar uma espécie de raça “Ariana” homossexual, onde estes estão acima do bem e do mal e que seus direitos são supremos e preteridos aos demais.

Ninguém aqui está discriminando a pessoa do homossexual, o que está em voga é a prática do homossexualismo que a Bíblia condena e coloca como pecado contra Deus, e por liberdade de expressão e liberdade de credo queremos continuar pregando em nossas igrejas assim como anunciamos todo o restante da palavra de Deus que inclui denuncias de outros tipos de pecados contra Deus, e uma infinidade de bênçãos de uma vida que O agrada também.

Estamos vivendo um momento crucial da cristandade no Brasil, momento onde corremos o risco de sermos cerceados de nossos direitos de culto e liberdade de expressão como cristãos.

Existe um ditado que diz: “Quando o bem se cala, o mal ecoa”, nesta caso se nós nos calarmos como povo de Deus, certamente tudo aquilo que é contrário a Palavra de Deus ecoará em alto e bom tom. Precisamos assim como Severo reclamarmos o direito constitucional de vivermos nosso cristianismo e pronunciá-lo, e não nos calarmos diante das ameaças, sendo “Jeremias” em nossa época, pois para isso fomos chamados, a anunciar o ano aceitável do Senhor!


A Deus toda glória!

sábado, 11 de abril de 2009

“Mediunidade” Protestante

Quando tive a honra de ser professor do Seminário Presbiteriano do Norte (SPN), no Recife, conheci um aluno que nos dias de semana em que ele deveria pregar nas congregações, passava a tarde dormindo ou jogando futebol na quadra. O mesmo era conhecido por se pretender “espiritual” e “renovado”. Intrigados, procuramos saber se ele não estudava as Escrituras e preparava os sermões com antecedência. O mesmo considerou tal expediente muito “carnal”. Ao dormir a tarde toda ou jogar bola, ele acreditava deixar a mente limpa para o Espírito Santo “baixar” com seu recado, de forma pura e cristalina, logo mais à noite...

Devemos reconhecer a força cultural do espiritismo e dos cultos de origem afro-ameríndia, e como eles influenciaram a percepção de espiritualidade de algumas Igrejas protestantes. O Espírito Santo, e os anjos, funcionam como espécies de “orixás evangélicos”, “baixando” sobre pastores e missionários, qual “médium protestante”. Isso sem falar em “profetas”, principalmente, “profetizas”, com suas revelações particulares sobre saúde, família e negócio, tomando o lugar simbólico das benzedeiras do catolicismo popular, das cartomantes e dos pais e mães-de-santo. Há uma forte equivalência simbólica.

Nos cultos, ou se tem os “médiuns”, ou se tem os “artistas”, que lideram o show-da-fé, no centro do palco e das atenções, promovendo o entretenimento.

C.S. Lewis denunciava as gerações que desprezam as outras do passado, supervalorizando o presente (presentismo), o que não somente atenta contra a herança apostólica e o consenso dos fiéis, vivenciado através dos séculos, mas que se pretende ser melhor, restauradora da “pureza” e outras formas de arrogância espiritual, que rompe a unidade mística da “comunhão dos santos”, conforme confessamos nos Credos.

John Stott dizia que o que fazia uma liturgia viva ou morta, fosse ela mais ou menos estruturada (não há liturgia informal, pois o “informal” é, apenas, uma outra forma) é o fato de os fiéis serem convertidos ou não, e acreditarem ou não no que se pronuncia. A entonação, os sentimentos, a fé, fazem a diferença. Foi o mesmo Stott quem disse que “um anglicano carismático não é um pentecostal”.

Somos carismáticos, porque acreditamos que não há Igreja sem o Espírito Santo, e não há presença do Espírito Santos sem carismas. Se Hans Kung disse que uma das marcas do Anglicanismo era a sua aversão a extremismos, alguém também afirmou que “na Igreja Anglicana o Espírito Santo sopra como um gentil cavalheiro”.

Somos uma Igreja que preza dois mil anos de herança litúrgica da Igreja, católica e reformada. Herança que é o conjunto do que foi, nas diversas etapas e lugares, fruto da ação do Espírito Santo nas comunidades de fé. Daí o Livro de Oração Comum – Bíblia pura, ortodoxia pura – ser uma das marcas distintivas do Anglicanismo. Os seus diversos ritos não engessam os crentes, antes o edificam, e podem ser intercalados com orações espontâneas, cantos, declamações, teatro, testemunho, em uma convergência com um presente que não rompe com o passado. Uma das maiores contribuições que a Diocese do Recife está fazendo para a maturidade da Igreja no Brasil é a edição (ora no prelo) do Livro de Oração Comum Brasileiro (LOCb).

Há quem goste de culto batista tradicional, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para adorar em uma Igreja batista. Há quem gosta de culto pentecostal “clássico”, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir, por exemplo, e adorar na Assembléia de Deus. Há quem goste do culto neo(pós) pentecostal, com apóstolos, banhos de descarrego, tirada de encostos e três recolhimentos de ofertas, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir à Igreja universal, internacional ou mundial. Agora, pelo amor de Deus, deixem o Anglicanismo em paz, com sua liberdade litúrgica, com sua diversidade, sim, mas “com ordem e decência”, com a alegria do Espírito Santo e o LOC na mão. E isso não é “anúncio de missa de sétimo dia”, para se adotar como “um doloroso dever”, mas uma adesão livre, convicta e entusiástica.

Somos uma Igreja sem mediunidade, sem estrelismo e sem showbiz, graças a Deus!

Olinda (PE), 03 de abril de 2009.
Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano

terça-feira, 17 de março de 2009

Einstein e a árvore do conhecimento do bem e do mal


“Toda essa nossa tecnologia e desenvolvimento são apenas como um machado nas mãos de um demente”. — Einstein

Esta foi a afirmação de Einstein quando viu a Alemanha fanatizada pela guerra no inicio do século XX [1ª Guerra].

E o que ele viu para falar tal coisa?
Viu não apenas a Alemanha tomada pelo espírito do fanatismo racial e imperial antes de haver a manifestação mais grotesca de tal realidade, a qual veio a ganhar contornos definitivos algumas poucas décadas depois, quando veio a 2ª Guerra.

Entretanto, o que chocava Einstein era o fato que não apenas o povo caíra no fanatismo, mas também seus próprios amigos/cientistas, especialmente seu melhor amigo, que mergulhara na mesma vala.
Foi quando Einstein viu que tudo quanto começava a explodir em termos de conhecimento técnico/cientifico ia sendo imediatamente transformado em arma química, em aparatos de destruição em massa, mesmo antes da Bomba Atômica.
Ora, o que se tinha naquele tempo era ainda brincadeira se comparado ao que se tem hoje.

Einstein, todavia, viu isso antes de acontecer, por isto, indagado acerca de como seria a 3ª Guerra Mundial, ele disse: “A Terceira não sei como será. Mas a 4ª será guerreada com pedras e pedaços de pau”.
Ele anteviu o fato de que aquele conhecimento desacompanhado de consciência promoveria a Tragédia Final da Humanidade como a conhecemos.
A mesma mente que na solidão de um escritório, sem nada além de papel e lápis, pôde ver os fenômenos mais intrincados do Cosmo, apenas mediante as lógicas dos números e da intuição como experiência cientifica a ser demonstrada — também via que aquele conhecimento não tinha no homem um fundamento de paz e vida.

Ou seja:
Einstein percebeu que aquele poder de criar era o mesmo poder que descriava em escala catastrófica.
Assim, com outras palavras, Einstein afirmava a terrível realidade da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.
Isto, entretanto, parece estar fechado à percepção de muita gente; ou, se não está, o descaso, todavia, é total para com as implicações de que o mesmo poder que descobre coisas e fenômenos é também o poder que usa o que se descobre para oprimir e aniquilar.

É trágico, mas é fato:
Para cada saber humano revolucionário sempre nos aguardam aplicativos do mesmo fenômeno na direção do que seja mal.
Assim, não em razão do saber, mas em razão de quem fica sabendo [o homem], pode-se dizer que para cada maravilha haverá a sua tragédia aplicativa.
Desse modo se pode afirmar que nada é mais real acerca do homem do que sua ligação espiritual com a Arvore do Conhecimento do Bem e do Mal.
Portanto, pergunto:

Alguém ainda duvida de que Adão comeu do fruto?
Ora, a conclusão não precisa ser baseada na Bíblia, basta que apenas se leia os sinais do homem no mundo.
Em tese este foi o fenômeno mais dramático que Einstein discerniu.

Caio Fábio

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

NATAL, O GRANDE AMOR DE DEUS

A Bíblia para alguns é uma coletânea de histórias do povo judeu, para outros um livro de regras religioso, para outros um livro de ficção, para nós cristão é a Palavra de Deus!

Mas além disso, ela é a história de uma busca constante do Grande amor de Deus ao homem.
E o ponto alto da história desta busca tem seu início com o Natal, o nascimento de Jesus, o Emanuel, o Deus conosco.
É o momento da história onde Deus intervém de forma direta em nosso favor, é o momento onde o amor de Deus é derramado sobre a humanidade, totalmente e sem reservas.


Rm 5:6-11 - Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.


O texto nos fala que por alguém “bom” talvez alguém até se anime a morrer em seu lugar, se eu perguntasse aqui, quem é mãe ou pai provavelmente diria que morreria no lugar de seu filho.
Mas o texto vai além e nos diz que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores, ou seja, inimigos de Deus, separados de Deus.Ele ultrapassa todas as barreiras e nos alcança com seu grande amor.

Natal é saber que somos amados, é saber que somos especiais, é saber que somos importantes.

Natal é saber que Deus nunca desistiu de nós, é saber que Jesus ainda continua a porta de nossos corações a bater, e aquele que abrir, ele entrará e fará de sua vida uma grande festa, um grande banquete, você ceiará com Ele e Ele contigo – Ap. 3:20.

Ainda Natal é lembrar que Ele pagou um altíssimo preço por nos amar tanto assim e precisamos por amor Dele, pagar um preço a cada dia e amar as pessoas pelas quais Ele deu sua vida.

Natal é dia de nos sentir verdadeiramente amados, é dia de saber que você é a pessoa mais amada em todo universo.

A Deus toda glória!


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A ética que impressiona os descrentes

Por ocasião do Sínodo dos Bispos, realizado em Roma, em outubro de 2008, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, salientou que os católicos da América Latina que se convertem ao protestantismo, imediatamente, “mudam o modo de se comportar, pois assumem um digno comportamento moral, deixando tudo o que parece indigno na nova vida de crentes”. O prelado católico acrescentou a informação de que “a Palavra que [eles] escutam é formativa para sua vida, alimenta seus espíritos e testemunha os valores religiosos que agora interiorizam”.

Tomara que esse reconhecimento de Dom Walmor volte a mexer com a igreja evangélica brasileira em priorizar a pregação do novo nascimento, experiência religiosa que leva o pecador a adotar estilo de vida oposto ao anterior, pois “se alguém está em Cristo, é nova criatura”, já que as coisas antigas ficaram para trás e tudo se fez novo (2Co 5.17).

Numa reunião realizada no Rio de Janeiro, em novembro de 1868, Ashbel G. Simonton, o pioneiro da Igreja Presbiteriana do Brasil, declarou que a implantação e o crescimento do evangelho no país dependia antes de tudo do seguinte: “A santidade da igreja deve ser ciosamente mantida no testemunho de cada crente”. Agora, em novembro de 2008, em entrevista à revista Igreja, o biblista batista Luiz Sayão volta a falar sobre o testemunho dos crentes: “Para termos pastores, educadores e outros líderes cristãos responsáveis, precisamos enfatizar três pontos: o ensino das Escrituras, a experiência profunda com Deus e a ética que impressiona os descrentes”.

Elben M. Lenz César
Editor Ultimato

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Grandes Igrejas, grandes negócios.

Não sei onde isso vai parar, fiquei pensando se eu que sou evangélico, que tenho uma formação teológica e de certa forma consigo fazer uma distinção apropriada de crentes e crentes, igrejas e igrejas e mesmo assim não consigo deixar de me escandalizar com certas notícias, como ficaria a cabeça de um não crente com notícias como esta que transcrevo abaixo?

SÃO PAULO - Funcionários da Igreja Universal do Reino de Deus foram cercados por 20 homens armados na Rua Poética Musical, na Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, no último domingo. De acordo com as vítimas, os assaltantes estavam em quatro carros, armados com fuzis e metralhadoras, e usavam máscaras e capuzes para não serem identificados. O bando levou R$ 52 mil arrecadados de fiéis pela igreja. Uma das vítimas (funcionário), que é policial militar, teve um celular e uma arma calibre 38 levados pelos assaltantes. O caso foi registrado no 43º Distrito Policial
[1].

O que me impressiona não é o assalto, nem a ação dos assaltantes, pois estão apenas cumprindo seu papel de meliante. O que me choca é a inversão de posições por parte de “funcionários” da igreja, chamados para anunciar, transportam valores para baixo e para cima e que valores, diga-se de passagem, além de uma escolta armada.

Diante disso lembrei-me de um texto de Ezequiel 28:16-18:
Pela abundância do teu comércio o teu coração se encheu de violência, e pecaste; pelo que te lancei, profanado, fora do monte de Deus, e o querubim da guarda te expulsou do meio das pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te contemplem. Pela multidão das tuas iniqüidades, na injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu a ti, e te tornei em cinza sobre a terra, à vista de todos os que te contemplavam.

Não estamos isentos de cair no mesmo erro citado no texto acima, li ontem um artigo de Elben Cezar “Babelismo, uma doença incurável”, mostrando que este espírito não acabou e que continua em nossos dias a busca pela grandeza, suntuosidade, fama e ele nos traz um importante alerta: “Os crentes precisam tomar cuidado com as megaigrejas. Elas podem ser portas abertas para o babelismo em sua versão religiosa”.

As igrejas têm feito do meio (dinheiro) o fim, e do fim (pregação do evangelho) instrumento para se chegar ao meio.

A Deus toda glória
[1] Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/vinte-cercam-funcionarios-da-igreja-universal-e-levam-r-52-mil-de-doacoes.html

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cada vez que minha fé é provada

Na última semana passei pela pior experiência de minha vida, ver minha pequena filha de menos de 3 anos convalescendo em um leito de um hospital correndo risco de morte.
Ela foi acometida por uma pneumonia gravíssima que teve várias outras complicações decorrentes da infecção, foram dias no vale da sombra da morte!
Mas graças ao meu maravilhoso Pai (Abba), hoje ela está em casa, bem, finalizando o tratamento.

Depois de passado a tempestade consigo enxergar algumas valiosas lições que ficaram de tudo isto, a primeira é que: “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades
e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus,
por Deus atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido.”
Is. 53:4-7

O que quero mostrar com este texto não é o fato Dele ter curado minha filha, mas sim o que Ele me mostrou ali naquele hospital. Ao ver minha pequena naquela situação o desejo que inundava meu coração era de tomar o seu lugar, tirá-la daquele sofrimento e passar para o lugar dela. Deus me mostrou com uma experiência clara e real que foi justamente isto que Ele fez por nós, nos olhava em nossas mazelas, presos, mortos e como um Pai Ele se colocou em nosso lugar, derramou de sua graça e pagou o preço de nossa liberdade, nos livrou do laço da morte.

Isto é algo que qualquer crente sabe de cór, mas muitas vezes é mais teórico do que qualquer outra coisa, Deus naquele momento derramou uma porção de seu coração de Pai sobre minha vida e com isso uma enorme gratidão inflou meu coração. Certamente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e nossas iniqüidades caíram sobre Ele.

A segunda lição foi uma experiência de fé com meu Deus, até então textos como a cura da filha de Jairo e outros eram traços de uma fé racional, os entendia e aceitava intelectualmente, ou então testemunhava através das experiências de terceiros, Ele fez isso na vida de fulano.
Deus queria proporcionar a minha experiência de fé com Ele, pessoal e real, longe do campo racional, algo realmente sobrenatural. Assim Ele fez, “tomou-a pela mão e lhe disse: “Talita cumi! ”, que significa “menina, eu lhe ordeno, levante-se!”.

Deus curou minha filha, por várias vezes eu fiz esta oração a Ele: “Senhor eu sei que podes, mas aumenta minha fé”, tenho entendido que era este o propósito, aumentar minha fé e assim Ele tem feito, agora tenho minha grande experiência de fé com meu Deus, não sei se é o suficiente para entrar para a galeria de Hebreus, o que sei é que é totalmente suficiente para me levar a amar mais e mais, incondicionalmente este Deus de milagres!

A Deus toda a glória

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Basquete e vôlei: os protestantes e as Olimpíadas

Creio que todos nós brasileiros, lamentando a falta de políticas públicas para a área dos esportes, vibramos com a medalha de ouro conseguida pela nossa seleção feminina de vôlei, a de prata pela seleção masculina, e com as boas apresentações das equipes de basquete.
Como a história é escrita pelos vencedores ou pelas maiorias (e não premia aqueles que não cultivam a própria memória), ninguém teve o interesse de se perguntar quem (e como) trouxe essas modalidades esportivas para o Brasil.
A verdade histórica é que o basquete e o vôlei foram introduzidos no Brasil pelos colégios protestantes no final do século 19 e início do século 20. O Colégio 15 de Novembro, em Garanhuns, PE, onde estudei, o mais antigo educandário evangélico do Nordeste, construiu a primeira quadra poliesportiva coberta naquela região e sediou um campeonato nacional juvenil nos idos de 1959.
Os colégios protestantes (presbiterianos, metodistas, batistas, anglicanos e outros) foram pioneiros em muitos aspectos na educação nacional: a) primeiras escolas mistas (para homens e mulheres); b) primeiras escolas técnicas profissionalizantes: agrícolas, industriais e comerciais; c) introdução da disciplina educação física; d) introdução do basquete e do vôlei. Ao contrário da cultura ibero-católica aristocrática, valorizavam-se as mãos, o corpo e o trabalho.
Essas escolas, que abrigaram, inicialmente, os filhos discriminados da minoria protestante, se abriram para a emergente classe média (de Gilberto Freyre a Ariano Suassuna) e concedeu bolsa a milhares de carentes. O ex-presidente da República Itamar Franco (um órfão), conseguiu terminar os seus estudos secundários graças a uma bolsa concedida pelo Colégio Metodista de Juiz de Fora, MG, por ser um excelente jogador de basquete. As escolas protestantes estavam imbuídas da ideologia do progresso (religião superior + democracia + progresso), o que levou o ex-presidente da República Café Filho a afirmar, em sua autobiografia: “Aprendi a amar a Democracia na escola missionária de Natal (RN)”. O Movimento da Escola Nova buscou nesses colégios muito do que seria introduzido na educação pública no Brasil. O protestantismo de imigração já estava no Brasil desde a Regência: os ingleses, urbanos, com o comércio e a indústria, e os alemães, rurais, com a agricultura; o protestantismo de missão, desde 1855, com a chegada do pioneiro pastor e médico escocês Robert Reid Kalley.
Essa fase (1810-1910) foi marcada por uma visão missionária de participação e influência na cultura e nas instituições brasileiras, o que levou a minoria protestante a se envolver nas causas da Abolição, da República e do Estado Laico. Em geral eles eram pós-milenistas (otimistas) ou a-milenistas (realistas) em escatologia. Essa visão permaneceu nas propostas sociais, das pequenas bancadas evangélicas às Constituintes de 1934 e 1946, ao fomento de uma geração de intelectuais nacionalistas e socialmente reformistas, ao trabalho aglutinador, conscientizador e profético da Confederação Evangélica Brasileira (1934-1964), ao engajamento no incipiente sindicalismo rural do pré-64.
Com a importação das controvérsias teológicas norte-americanas (evangelho social versus evangelho individual; liberalismo versus fundamentalismo), da escatologia pré-milenista/pré-tribulacionista; com a vinda de um pentecostalismo “branco” (isolacionista), que, ainda por cima, absorve aspectos legalistas, anti-corpo e anti-prazer do catolicismo de romaria no interior do Nordeste (hoje, com uma nova geração lúcida querendo mudar); com a Guerra Fria, com a ditadura militar, os protestantes brasileiros entraram em uma amnésia coletiva que afetou a sua identidade. O divisionismo denominacional, a importação de toda novidade do estrangeiro e o fenômeno do pseudo-pentecostalismo (que nem é evangélico, nem é protestante) agravaram essa crise de identidade.
As atuais gerações não conhecem seu passado (personagens, fatos, idéias), nem suas bases teológicas; não sabem quem são, nem para que servem (uma multidão isolada, alienada e sem visão de participação). Seu crescimento numérico não tem alterado as mazelas nacionais, pois permanecem reduzidas às emoções, ao subjetivismo, ao individualismo, aos cultos-espetáculos estrangeirizados. O nosso passado é onde podemos buscar o nosso futuro.
O quadro atual pode e deve mudar. O basquete e o vôlei são, em muito, nossos. Os protestantes, mais do que todos, deveriam ter razão para comemorar!


• Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política -- teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo -- desafios a uma fé engajada. www.dar.org.br

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quem os elegeu como nossos representantes?

No dia 26 de Agosto de 2008 discursou no Supremo Tribunal Federal o bispo Carlos Macedo de Oliveira, representante da Igreja Universal na Audiência Pública que debate a interrupção de gravidez dos fetos anencéfalos.

O que me intriga não é o fato de que a Universal assumindo uma disputa infantil com a Igreja Católica se manifeste contrário a tudo o que ela defende como aqui no caso do aborto si posicionando e militando a favor, como também no caso do uso da camisinha e outros.

Não, não é isto que me intriga, o que me chama a atenção é que este grupo tem assumido uma posição de representantes da população “Evangélica”, como expressa na reportagem da rede globo, sem nenhuma contestação por parte da Igreja Evangélica Brasileira. No congresso já encabeçam a chamada bancada evangélica e quando aparecem com dinheiro na mala, escândalos de corrupção etc, não são os líderes da universal, são os líderes evangélicos.

Quem elegeu estas pessoas como representantes de nossa “classe”? Quem os colocou nesta posição?
Já não basta a onda de pessoas que colocam as mãos sobre suas próprias cabeças e ungem a si mesmos pastores, bispos, apóstolos e sei lá mais o que?

Em toda classe social, empresarial, religiosa para que você faça parte dela é preciso preencher alguns pré-requisitos, mas para ser contado nas fileiras evangélicas não, basta rotular sua entidade como tal e já é!Acredito que chegou o tempo de se fazer uma peneira, de colocar os pingos no “Is”, tempo de se fazer uma confissão fé bíblica que demarque os pilares da fé evangélica, para que o nome da Igreja de Nosso Senhor Jesus não seja envergonhada e maculada pelo mau procedimento de uma classe que parece não estar nem um pouco preocupada com isso.

Quando os profetas se calam a voz da injustiça eco em alto e bom som por toda parte, precisamos nos posicionar, para que não sejamos mal representados por aqueles que tomam a palavra e a usam a seu bel prazer.

A Deus toda glória

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O Segredo do viver bem!!!

Um dia desses, conversando com o meu pastor, lhe perguntei: - Qual o sentido da vida, como a gente sabe que está vivendo bem? Meu pastor começou a cofiar a sua vistosa barba, seus olhos brilharam e, com a singeleza que sempre o caracteriza, respondeu-me: - O sentido da vida é ter prazer e, vive-se bem, quando se vive com prazer.

Eu estava pronto para qualquer resposta menos para esta, sabe como é, a gente tem tanta idéia sobre tudo, e acha que tudo tem de ter, para ser digno de crédito, algum grau de sofisticação. E, prazer parece tão vulgar! Embora, a bem da verdade, todos gostem e queiram. Mas, é que prazer sempre parece fazer parte do furtivo, do subversivo. Bem... eu não iria dizer isso para ele...de verdade, nem precisava.

Respirei fundo e disse: Que tipo de prazer? Eu estava tentando fazê-lo se situar e me situar. Afinal, tem todo o tipo de prazer por aí. Mais uma vez ele me olhou para além dos olhos e respondeu: - O único, só tem um, quando há prazer, de verdade, só pode ser este.

Pronto, se a coisa já estava complicada, agora, havia se tornado enigmática. E eu estava certo de que há vários tipos de prazer, não há quem não concorde! Quer dizer, há... o meu pastor!

Mas, eu estava disposto a complicar –lhe a situação, não iria deixar a coisa assim tão fácil, porque, afinal de contas, isso não é resposta, ele fala o único, como se fosse o óbvio ululante. Perguntei-lhe, então, de chofre: - Onde está esse prazer?

Ele mirou-me, como poucas vezes, como a ler o que eu nem sabia que havia escrito, isto é, se fui eu que o escrevi. Dessa vez, arranjou o cabelo: - Vou-lhe dizer, primeiro, onde não está.
Sabe aquele casal que está saindo do motel, ainda ofegantes, declarando maravilhas um para o outro, onde um e outro nunca tiveram pacto, a não ser aquele que é quebra da aliança que, de fato, um dia eles celebraram e, cujos companheiros nem desconfiam que, naquele momento, está sendo relegada ao vulgar?

- Sabe aquele homem que está saindo do beco, com as mãos sujas de sangue, olhando para todos os lados, para ver se não foi visto, enquanto, apesar do rosto marcado pelo medo e pela raiva, pensa estar, finalmente, saboreando a sua vingança?
- Sabe aquele rapaz que está olhando para aquela moça, como quem olha para um objeto com que se possa fazer de tudo e que, só em fazer de tudo, encontra o seu sentido?
- Sabe aquele senhor em posição de autoridade, que acaba de finalizar uma operação financeira, espúria, que é a subversão de tudo o que ele representa e está lá para fazer?
- Sabe aquela pessoa que acaba de gastar uma fortuna numa pedra, que lhe conferirá muito “status”, apesar de ter custado algo que mitigaria a miséria de muitos?
- Sabe aquele jovem agachado no canto, com o olhar vago, que, embalado por um som desconexo, vê figuras espantosas, disformes, que, por acreditar que a vida não é, consome algo que o leva para o que não existe, e nunca mais o deixa voltar de lá?
- Sabe aquele sujeito torturando alguém, de alguma forma, pelo simples desfrutar do sofrimento alheio?
- Sabe aquele camarada querendo mudar o mundo por acreditar que isso é tudo o que há? E o outro que acha que o mundo é ele? Não é aí que o prazer está.

Mas, agora, olhe aquele casal apaixonado, descobrindo-se um no outro, preparando-se para envolverem, por toda a vida a vida toda. E aquele empresário que acabou de sair de uma reunião onde ele e outros decidiram usar os seus dons para mitigar a miséria alheia. Observe aquele cientista que, com afinco, se debruça sobre a sua prancheta, a reler as suas anotações, ele está ciente de que vai contribuir para o progresso da humanidade, que muita gente vai ser beneficiada. Veja aqueles jovens correndo à beira daquele lago, brincando de modo cada vez mais criativo e alegre, se deixando, entretanto, ser interrompido pela beleza do lugar. E há, também, o homem no seu trabalho, qualquer trabalho, grato por poder fazer o que está fazendo, compreendendo que faz parte da malha que mantêm o mundo dos homens funcionando, e gente se alimentando. Sem contar aquela senhora que acaba de separar algo das guloseimas que fez para sua família, para ofertar a vizinha do lado, que ela achou um pouco triste. Impressiona aquele marido, da sala, observando sua esposa a cuidar de seus filhos; admirado como o tempo a fez mais bela, a fez mais mulher, a fez mais gente, e como ela está presente na maioria de suas boas memórias. Admire aquele filho (a) abraçado (o) ao seu pai, à sua mãe. E aqueles pais recebendo o seu filho, com braços e sorrisos abertos, apesar de tantos desatinos.

Olha lá! Há alguém socorrendo o que tem fome, pelo faminto; curando o enfermo, pelo enfermo; dando água ao que tem sede, pelo sedento; visitando o preso, pelo encarcerado.
E o estudante encantado com o conhecimento? Contemple aquela pessoa, ali, debaixo da árvore, admirando a beleza e a matemática do universo. E o ancião concluindo, há mais entre o céu e a terra. E aquele jovem que acaba de mudar de idéia acerca de si, e está pronto para se deixar transformar. É aí que o prazer está.

A essa altura eu estava sem fôlego, foram tantas as visões, umas que causaram tanta dor, outras, tanto enlevo, visões que se alternaram e que me deslocaram para tantos lugares, o que eu poderia dizer?

Bem... Achei que, talvez, só mais uma questão, para entender bem: - Por que nessas atividades, tão díspares entre si, está o prazer? - Por quê? Replicou meu pastor, demonstrando alguma surpresa. – Porque eles estão meditando na grande lei. – Pastor, o Senhor me desculpe, mas, tantas coisas tão estranhas entre si, não parecem corresponder a nenhuma lei... Para dizer a verdade, se eu fosse definir isso tudo acho que eu chamaria de alguma espécie de amor. Aí toda a surpresa dele veio à tona! - E o que você acha que é a grande lei? – Que lei, pastor? – A minha! Disse ele. – Prazer é meditar no amor, e meditar, não é só pensar. Meditar é viver. Viver bem é viver com amor, em amor, por amor. É aí que reside o prazer. O amor só edifica, só aproxima, cria, se compromete e dá sentido. Quem vive assim... vive, e, viver assim é ser próspero, é ser como a árvore sempre verde à beira do riacho acalentador, que lhe garante geração constante, ou seja, lhe garante estar sempre em consonância com a Vida.

Ah! Pastor, pensei que o Senhor ia me falar da Igreja... – Mas, essa é a vida da Igreja. Disse-me. – E o culto? – Mas, esse é o culto. Respondeu-me. – E a celebração, então? – Tem de ser a explosão desse prazer. Arrematou.
- Ah! Pastor, então existe vida em meio ao caos e prazer em meio à dor? – Existe, filho... feliz é o que ama, porque vive.

Ariovaldo Ramos

terça-feira, 29 de julho de 2008

Pastores de fantasia e ovelhas de fantasia

É claro demais: não havendo ovelhas, não há necessidade alguma nem de igrejas nem de pastores.
Tão claro quanto: não havendo alunos, não há necessidade nem de escola nem de professores; não havendo doentes, não há necessidade nem de hospitais nem de médicos. Isso quer dizer que, havendo ovelhas, há necessidade de pastores.

Assim como há decepção mútua entre estudante e professor, há também decepção mútua entre ovelha e pastor. Os dois têm de saber que a decepção é de ambos os lados. Assim é mais fácil tratar do problema do relacionamento entre um e outro. É como se fosse um desconforto conjugal, que exige humildade e diálogo de ambos os cônjuges para recuperar a harmonia perdida
(veja Pastor & igreja: uma relação (conjugal) em crise, de Ricardo Agreste).

O problema é antigo e preocupante. Há ovelhas que se queixam amargamente de seus pastores e há pastores que se queixam amargamente de suas ovelhas. Enquanto Deus se queixa de ambos ou, conforme o caso, só de um deles.

No livro do profeta Zacarias há uma palavra muito dura contra os pastores:
“Ai do pastor imprestável, que abandona o rebanho”(Zc 11.17).

Em outras versões, o “pastor imprestável” tem sido pitorescamente chamado de “pastor de nada” (TEB), “pastor de coisa nenhuma” (EP) e “pastor de fantasia” (CNBB). Esse pastor é aquele que não se preocupa com as ovelhas. Não procura a que está desgarrada, nem cura as machucadas, nem alimenta as sadias, mas come a carne das ovelhas mais gordas (Zc 11.16). O quadro é patético. Serve para contrastar com o comportamento do Bom Pastor por excelência (veja De olho no grande pastor das ovelhas).

Se há “pastores de fantasia”, os tais pastores mercenários a que Jesus se refere (Jo 10.12), pastores sem alma, sem dedicação, sem testemunho, sem autoridade e sem mensagem, há também ovelhas obstinadas, que tapam os ouvidos para não ouvir, como o próprio Zacarias admite (Zc 7.11).

Há muitos pastores não de fantasia que já não sabem o que fazer por essas ovelhas imprestáveis, essas ovelhas de fantasia. Um deles, o profeta Jeremias, queixou-se de que pregou em vão durante vinte e três anos, dia após dia (Jr 23.3). Outro, o apóstolo Paulo, queixou-se de que suas ovelhas de Corinto nunca saíram da carnalidade para a espiritualidade, nem do leite para o alimento sólido, nem dos “ensinos elementares” para as “coisas difíceis de entender” (1 Co 3.1-3, Hb 5.11-14). (Veja Fome Zero — pastores e padres de mamadeiras na mão por este Brasil afora)


Revista Ultimato dezembro 2004

terça-feira, 1 de julho de 2008

Temos ouro e prata, mas não damos a ninguém...

Atos 3: 6 - Disse Pedro: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande”.

Uma vez escutei uma história que descrevia uma visita de um coroinha ao Vaticano, e o arcebispo que o acompanhava ia lhe mostrando as belezas que ali havia.
Chegaram a um grande e belo salão todo recoberto por ouro e prata e o arcebispo disse ao jovem coroinha: No início da Igreja um paralítico pediu esmola para São Pedro e São João na entrada do templo e ele lhe disse:
“Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou”.
Hoje nós temos ouro e prata nas paredes do Vaticano, e de pronto o coroinha respondeu ao arcebispo:
“Que pena que hoje não podemos dizer ao paralítico, levanta e anda”.

Acredito que isso se aplica a nossa realidade como protestantes hoje, temos ouro e prata, a questão é, temos, mas não repartimos com ninguém como era feito na Igreja de Atos. As Igrejas estão cada vez mais capitalistas e ricas, voltadas para si, enquanto a pobreza alastra ao seu redor. E o pior, muitos aplicam um verdadeiro terrorismo sobre seus fieis no toma lá da cá, e se não der além de não ter bênção ainda é amaldiçoado por Deus. Aprisionam as pessoas as quais Jesus morreu para que fossem livres.

O Dr. John Stott ao comentar Tg. 1:27 “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Assistir os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo” disse:

“ O único valor dos cultos religiosos é que eles concentram em cerca de uma hora de atividade pública, vocal e congregacional, a devoção de toda a nossa vida.. Se isto não acontece, e ao invés disso dizemos e cantamos na igreja coisas que nada têm a ver com a vida cotidiana lá fora, em casa e no trabalho, então ir aos cultos é ainda pior do que fazer nada; nossa hipocrisia positivamente provoca náuseas em Deus”.

O que isso tem a ver conosco? Temos feito do meio o alvo de nossa jornada, o dinheiro que muitas vezes é o meio para abençoarmos vidas e impulsionar a obra evangelística tem se tornado o alvo da igreja moderna como foi antes da reforma.
Perdemos totalmente a noção primitiva de repartir o pão de casa em casa (At. 2:42), e de contrapartida vivemos um evangelho voltado para nossos pés, ou melhor dizendo para nosso próprio umbigo.

A Igreja Evangélica precisa novamente lançar seu olhar para o alto, para as coisas do alto, fitando na pessoa e obra de Nosso Senhor Jesus que sendo Deus se colocou em nossa posição humana, humilhando-se em nosso favor (Fl. 2:7,8).

Precisamos nos lembrar que:
“Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais infelizes I Co15.19”.

A Deus toda glória

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Vida de gado

Vocês que fazem parte dessa massa... Êeeeeh! Oh! Oh! Vida de gado, Povo marcado Êh! Povo feliz!... Zé Ramalho

Há alguns dias atrás acompanhamos as inúmeras ações impetradas por membros de uma igreja evangélica contra uma revista por ter soltado uma reportagem que feria seus interesses, não estou aqui julgando o mérito da questão, mas sim o que ficou evidente, que os líderes desta igreja estavam incitando seus membros a tomarem tal atitude.

No sábado último fui a um evento com um grupo famoso o qual estava sendo promovido por uma grande denominação neopentecostal de Goiás e o que presenciei foi lamentável, um verdadeiro comício em torno do nome dos líderes e da denominação.

Lamentável ver que o rebanho de Deus tem sido manipulado por homens que usando o nome que está acima de todo nome, promovem apenas o seu pequeno reino.

É triste e muito preocupante ver o rumo que o meio evangélico brasileiro vem tomando, líderes em busca de seu sucesso profissional buscam a todo preço conchavos com políticos a fim de conseguir concessões de rádio e TV, com vistas à promoção de seu “ministério”, e a moeda de troca neste grande negócio é uma massa que os mesmos manipulam através das ferramentas que ganharam.

Jesus já nos advertiu sobre tais homens:
“João 10.12 -13 - Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o que é mercenário, e não pastor, de quem não são as ovelhas, vendo vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo as arrebata e dispersa”.

E tais homens têm feito de Jesus o maior garoto propaganda de todos os tempos, para venderem seus produtos basta identificarem no rótulo: “Gospel; de Jesus; abençoado; ungido etc...”, e assim prosseguem com seus empreendedorismos “santos” rumo ao alvo de suas vocações que com certeza não é o mesmo de Paulo.

Suas vocações têm muito mais a ver com títulos, status, poder, renome e grana, muita grana essa é a grande verdade. E algo ainda mais grave se dá por estes usarem uma capa de santidade para intimidar e controlar as pessoas como era feito na idade média.

Acredito ser este o tempo de uma nova reforma, não apenas teológica, mas principalmente moral e espiritual, precisamos hoje de homens como Jonh Wesley, os Irmãos Morávios, Wycliff, Jonh huss etc. Homens que não estavam preocupados em estar na moda, mas remaram contra a corrente dominante, em busca dos interesses do Reino de Deus.


A Deus toda glória

quinta-feira, 5 de junho de 2008

BÔNUS SEM ÔNUS

Sl. 16: 2,5 - Ao SENHOR declaro: “Tu és o meu Senhor, não tenho bem nenhum além de ti”... SENHOR, tu és a minha porção e o meu cálice.

A moda hoje é, trazer para nosso contexto eclesiástico elementos, símbolos e práticas veterotestamentais, candelabros, chofar, incensários além de vários títulos e um deles é o de Levita.

É extremamente comum que as pessoas que lidam com grupos musicais na igreja se autodenominem levitas, fazendo uma ligação direta com a função e prática da tribo de Levi na ministração do templo, pois tais eram responsáveis pela parte musical no culto a Deus.

O que acontece é que esta era uma dentre tantas atribuições deles, que contemplava o cuidado com a limpeza e manutenção do templo, cuidado com os animais, assistência aos órfãos e viúvas etc. Além disso para esta tribo não havia ficado nada da partilha de bens das tribos de Israel. Para que pudessem comer eles dependiam do Senhor, assim como para vestir e tudo mais, literalmente a herança deles era o Senhor e com certeza ficaram com a melhor parte nesta partilha, o Senhor é o melhor bem que um homem pode ter como é declarado pelo salmista.

A diferença de nossos “Levitas” atuais é que eles querem gozar do bônus de se ter o Senhor como herança, o “status” de ministrar as massas, de estar em uma posição realmente privilegiada, mas não querem pagar o preço, ou seja, o ônus de tal posição, a principal função dos Levitas era servir, o serviço era sua principal função, mas os nossos contemporâneos pouco se envolvem com este tipo de serviço, é muito pequeno e baixo para que se envolvam, suas posições são muito altas e “especiais”.

Esquecemos que o único que é tão alto a ponto de ter o direito de não se envolver com a miséria e sofrimento humano, se esvaziou e humilhou tornando servo e obediente a ponto de se entregar a uma morte miserável, morte de cruz (Fl. 2).

O conselho é:
Se alguém almeja tal posição, siga este exemplo de Cristo e abrace de fato a causa, recebendo todos os benefícios, todo bônus de tal posição, mas agarrando também firmemente o ônus que isto implica.

A Deus toda glória

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Como queria voltar ao Jardim da Inocência

Em minha juventude, gostava de como dizemos aqui em Goiás “gambirar” coisas (comprar, vender, trocar), mas a verdade é que nunca levei jeito para tal. Na maior parte dos negócios não me saia muito bem, o prejuízo era quase certo.

Depois que o negócio estava concluído e já havia passado o calor e empolgação a ficha começava cair e passava a enxergar o cenário com um olhar mais racional e menos passional como no calor do negócio, e de conseqüência me sobrava o arrependimento na maioria das vezes.

Ao ler o relato das conseqüências da queda em Gênesis 3:17-24 percebo que Adão caiu no mesmo erro:
E ao homem declarou O Senhor:
“Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade. O SENHOR Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher. Então disse o SENHOR Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”. Por isso o SENHOR Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado. 24 Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida."

Adão troca o bem mais precioso do universo por nada, por uma ilusão oferecida pelo inimigo a sua mulher. Adão envolvido pela situação, no calor do negócio não pensa e faz a pior “gambira” de sua vida.
Ele troca a presença e comunhão de Deus por um fruto, ele troca o desfrutar da presença de Deus na viração do dia, do caminhar com O Senhor, do ouvi-lo bem de perto, do sentir seu caloroso amor por uma ilusão passageira.

O pior é que não temos o costume de aprender com os erros dos outros, principalmente o erro de alguém que está a milhares de anos de nós. Dificilmente aprendemos com os erros daqueles que estão a nossa volta, dizemos isso nunca aconteceria comigo, mas a realidade nos mostra que não é bem assim.

A pergunta hoje é o que tem sido o fruto, o objeto, a posição, o cargo, o salário, o prazer etc, que tem me seduzido a ponto de fazer um negócio tão prejudicial como o de Adão, trocar a única coisa que realmente importa, a presença de nosso Deus e sua comunhão por nada?

Tento imaginar o que passou na mente de Adão nos dias seguintes ao fato, com certeza ele pensou a que saudade, a que vontade de voltar ao “Jardim da Inocência”...

A Deus toda Glória

Texto escrito inspirado na música de Paulo César Baruk, Jardim da Inocência.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Meu nome não é Jhonny...

Fui ao cinema este fim de semana assistir o filme brasileiro Meu nome não é Jhonny, ele conta a história de um jovem de classe média de São Paulo que se envolve com drogas e inicia sua vida no tráfico se tornando um grande traficante entre a classe média.

O legal do filme é que ao ser pego e julgado a juíza tem uma grande sensibilidade com relação ao rapaz e seu depoimento e ao invés de lhe mandar para uma cadeia por mais de 10 anos ela o envia para um centro de recuperação pos dois anos, acreditando em sua recuperação, e é exatamente isso o que acontece, o rapaz se recupera deixa as drogas e a vida no crime e hoje é um bom cidadão.

Mas você deve estar se perguntando e daí? Qual moral da história?

A questão é que “Meu nome também não é Jhonny”, e em um belo dia de minha vida um outro Juiz acreditou que havia jeito para mim, mas não era um juiz qualquer, era o Senhor e Juiz Jesus Cristo.

A minha vida não chegou aos extremos da vida do personagem João Guilherme, não mergulhei tão fundo neste horrendo mundo, mas trilhei um bom tempo bem perto dele, e no momento em que praticamente ninguém mais acreditava que iria virar algo que preste, Ele acreditou em mim, e Ele continua acreditando nos Joãos Guilhermes da vida, nos Niltons, nos Pedros, José, Maria, Ana...

Apesar de muitas vezes nós desistirmos com tanta facilidade das pessoas, de menosprezar achando que esse não tem jeito mais, Ele nunca desistiu de nós, pelo contrario, Ele acreditou no pior momento de nossas vidas, o momento em que já estávamos tão perdidos que éramos inimigos Dele.

Ele acreditou em mim, acreditou em você e é por isso que hoje somos reabilitados ao convívio com Aquele é Santo, Santo, Santo, tanto hoje como sempre.

Obrigado Senhor Jesus, por ter acreditado em mim quando nem mesmo eu acreditava.

A Deus toda Glória