terça-feira, 1 de julho de 2008
Temos ouro e prata, mas não damos a ninguém...
Uma vez escutei uma história que descrevia uma visita de um coroinha ao Vaticano, e o arcebispo que o acompanhava ia lhe mostrando as belezas que ali havia.
Chegaram a um grande e belo salão todo recoberto por ouro e prata e o arcebispo disse ao jovem coroinha: No início da Igreja um paralítico pediu esmola para São Pedro e São João na entrada do templo e ele lhe disse: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou”.
Hoje nós temos ouro e prata nas paredes do Vaticano, e de pronto o coroinha respondeu ao arcebispo: “Que pena que hoje não podemos dizer ao paralítico, levanta e anda”.
Acredito que isso se aplica a nossa realidade como protestantes hoje, temos ouro e prata, a questão é, temos, mas não repartimos com ninguém como era feito na Igreja de Atos. As Igrejas estão cada vez mais capitalistas e ricas, voltadas para si, enquanto a pobreza alastra ao seu redor. E o pior, muitos aplicam um verdadeiro terrorismo sobre seus fieis no toma lá da cá, e se não der além de não ter bênção ainda é amaldiçoado por Deus. Aprisionam as pessoas as quais Jesus morreu para que fossem livres.
O Dr. John Stott ao comentar Tg. 1:27 “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Assistir os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo” disse:
“ O único valor dos cultos religiosos é que eles concentram em cerca de uma hora de atividade pública, vocal e congregacional, a devoção de toda a nossa vida.. Se isto não acontece, e ao invés disso dizemos e cantamos na igreja coisas que nada têm a ver com a vida cotidiana lá fora, em casa e no trabalho, então ir aos cultos é ainda pior do que fazer nada; nossa hipocrisia positivamente provoca náuseas em Deus”.
O que isso tem a ver conosco? Temos feito do meio o alvo de nossa jornada, o dinheiro que muitas vezes é o meio para abençoarmos vidas e impulsionar a obra evangelística tem se tornado o alvo da igreja moderna como foi antes da reforma.
Perdemos totalmente a noção primitiva de repartir o pão de casa em casa (At. 2:42), e de contrapartida vivemos um evangelho voltado para nossos pés, ou melhor dizendo para nosso próprio umbigo.
A Igreja Evangélica precisa novamente lançar seu olhar para o alto, para as coisas do alto, fitando na pessoa e obra de Nosso Senhor Jesus que sendo Deus se colocou em nossa posição humana, humilhando-se em nosso favor (Fl. 2:7,8).
Precisamos nos lembrar que: “Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais infelizes I Co15.19”.
A Deus toda glória
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Vida de gado
Há alguns dias atrás acompanhamos as inúmeras ações impetradas por membros de uma igreja evangélica contra uma revista por ter soltado uma reportagem que feria seus interesses, não estou aqui julgando o mérito da questão, mas sim o que ficou evidente, que os líderes desta igreja estavam incitando seus membros a tomarem tal atitude.
No sábado último fui a um evento com um grupo famoso o qual estava sendo promovido por uma grande denominação neopentecostal de Goiás e o que presenciei foi lamentável, um verdadeiro comício em torno do nome dos líderes e da denominação.
Lamentável ver que o rebanho de Deus tem sido manipulado por homens que usando o nome que está acima de todo nome, promovem apenas o seu pequeno reino.
É triste e muito preocupante ver o rumo que o meio evangélico brasileiro vem tomando, líderes em busca de seu sucesso profissional buscam a todo preço conchavos com políticos a fim de conseguir concessões de rádio e TV, com vistas à promoção de seu “ministério”, e a moeda de troca neste grande negócio é uma massa que os mesmos manipulam através das ferramentas que ganharam.
Jesus já nos advertiu sobre tais homens:
“João 10.12 -13 - Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o que é mercenário, e não pastor, de quem não são as ovelhas, vendo vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo as arrebata e dispersa”.
E tais homens têm feito de Jesus o maior garoto propaganda de todos os tempos, para venderem seus produtos basta identificarem no rótulo: “Gospel; de Jesus; abençoado; ungido etc...”, e assim prosseguem com seus empreendedorismos “santos” rumo ao alvo de suas vocações que com certeza não é o mesmo de Paulo.
Suas vocações têm muito mais a ver com títulos, status, poder, renome e grana, muita grana essa é a grande verdade. E algo ainda mais grave se dá por estes usarem uma capa de santidade para intimidar e controlar as pessoas como era feito na idade média.
Acredito ser este o tempo de uma nova reforma, não apenas teológica, mas principalmente moral e espiritual, precisamos hoje de homens como Jonh Wesley, os Irmãos Morávios, Wycliff, Jonh huss etc. Homens que não estavam preocupados em estar na moda, mas remaram contra a corrente dominante, em busca dos interesses do Reino de Deus.
A Deus toda glória
quinta-feira, 5 de junho de 2008
BÔNUS SEM ÔNUS
Sl. 16: 2,5 - Ao SENHOR declaro: “Tu és o meu Senhor, não tenho bem nenhum além de ti”... SENHOR, tu és a minha porção e o meu cálice.
A moda hoje é, trazer para nosso contexto eclesiástico elementos, símbolos e práticas veterotestamentais, candelabros, chofar, incensários além de vários títulos e um deles é o de Levita.
É extremamente comum que as pessoas que lidam com grupos musicais na igreja se autodenominem levitas, fazendo uma ligação direta com a função e prática da tribo de Levi na ministração do templo, pois tais eram responsáveis pela parte musical no culto a Deus.
O que acontece é que esta era uma dentre tantas atribuições deles, que contemplava o cuidado com a limpeza e manutenção do templo, cuidado com os animais, assistência aos órfãos e viúvas etc. Além disso para esta tribo não havia ficado nada da partilha de bens das tribos de Israel. Para que pudessem comer eles dependiam do Senhor, assim como para vestir e tudo mais, literalmente a herança deles era o Senhor e com certeza ficaram com a melhor parte nesta partilha, o Senhor é o melhor bem que um homem pode ter como é declarado pelo salmista.
A diferença de nossos “Levitas” atuais é que eles querem gozar do bônus de se ter o Senhor como herança, o “status” de ministrar as massas, de estar em uma posição realmente privilegiada, mas não querem pagar o preço, ou seja, o ônus de tal posição, a principal função dos Levitas era servir, o serviço era sua principal função, mas os nossos contemporâneos pouco se envolvem com este tipo de serviço, é muito pequeno e baixo para que se envolvam, suas posições são muito altas e “especiais”.
Esquecemos que o único que é tão alto a ponto de ter o direito de não se envolver com a miséria e sofrimento humano, se esvaziou e humilhou tornando servo e obediente a ponto de se entregar a uma morte miserável, morte de cruz (Fl. 2).
O conselho é: Se alguém almeja tal posição, siga este exemplo de Cristo e abrace de fato a causa, recebendo todos os benefícios, todo bônus de tal posição, mas agarrando também firmemente o ônus que isto implica.
A Deus toda glória
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Como queria voltar ao Jardim da Inocência
Depois que o negócio estava concluído e já havia passado o calor e empolgação a ficha começava cair e passava a enxergar o cenário com um olhar mais racional e menos passional como no calor do negócio, e de conseqüência me sobrava o arrependimento na maioria das vezes.
Ao ler o relato das conseqüências da queda em Gênesis 3:17-24 percebo que Adão caiu no mesmo erro:
E ao homem declarou O Senhor: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade. O SENHOR Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher. Então disse o SENHOR Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”. Por isso o SENHOR Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado. 24 Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida."
Adão troca o bem mais precioso do universo por nada, por uma ilusão oferecida pelo inimigo a sua mulher. Adão envolvido pela situação, no calor do negócio não pensa e faz a pior “gambira” de sua vida.
Ele troca a presença e comunhão de Deus por um fruto, ele troca o desfrutar da presença de Deus na viração do dia, do caminhar com O Senhor, do ouvi-lo bem de perto, do sentir seu caloroso amor por uma ilusão passageira.
O pior é que não temos o costume de aprender com os erros dos outros, principalmente o erro de alguém que está a milhares de anos de nós. Dificilmente aprendemos com os erros daqueles que estão a nossa volta, dizemos isso nunca aconteceria comigo, mas a realidade nos mostra que não é bem assim.
A pergunta hoje é o que tem sido o fruto, o objeto, a posição, o cargo, o salário, o prazer etc, que tem me seduzido a ponto de fazer um negócio tão prejudicial como o de Adão, trocar a única coisa que realmente importa, a presença de nosso Deus e sua comunhão por nada?
Tento imaginar o que passou na mente de Adão nos dias seguintes ao fato, com certeza ele pensou a que saudade, a que vontade de voltar ao “Jardim da Inocência”...
A Deus toda Glória
Texto escrito inspirado na música de Paulo César Baruk, Jardim da Inocência.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Meu nome não é Jhonny...
O legal do filme é que ao ser pego e julgado a juíza tem uma grande sensibilidade com relação ao rapaz e seu depoimento e ao invés de lhe mandar para uma cadeia por mais de 10 anos ela o envia para um centro de recuperação pos dois anos, acreditando em sua recuperação, e é exatamente isso o que acontece, o rapaz se recupera deixa as drogas e a vida no crime e hoje é um bom cidadão.
Mas você deve estar se perguntando e daí? Qual moral da história?
A questão é que “Meu nome também não é Jhonny”, e em um belo dia de minha vida um outro Juiz acreditou que havia jeito para mim, mas não era um juiz qualquer, era o Senhor e Juiz Jesus Cristo.
A minha vida não chegou aos extremos da vida do personagem João Guilherme, não mergulhei tão fundo neste horrendo mundo, mas trilhei um bom tempo bem perto dele, e no momento em que praticamente ninguém mais acreditava que iria virar algo que preste, Ele acreditou em mim, e Ele continua acreditando nos Joãos Guilhermes da vida, nos Niltons, nos Pedros, José, Maria, Ana...
Apesar de muitas vezes nós desistirmos com tanta facilidade das pessoas, de menosprezar achando que esse não tem jeito mais, Ele nunca desistiu de nós, pelo contrario, Ele acreditou no pior momento de nossas vidas, o momento em que já estávamos tão perdidos que éramos inimigos Dele.
Ele acreditou em mim, acreditou em você e é por isso que hoje somos reabilitados ao convívio com Aquele é Santo, Santo, Santo, tanto hoje como sempre.
Obrigado Senhor Jesus, por ter acreditado em mim quando nem mesmo eu acreditava.
A Deus toda Glória
