Quando tive a honra de ser professor do Seminário Presbiteriano do Norte (SPN), no Recife, conheci um aluno que nos dias de semana em que ele deveria pregar nas congregações, passava a tarde dormindo ou jogando futebol na quadra. O mesmo era conhecido por se pretender “espiritual” e “renovado”. Intrigados, procuramos saber se ele não estudava as Escrituras e preparava os sermões com antecedência. O mesmo considerou tal expediente muito “carnal”. Ao dormir a tarde toda ou jogar bola, ele acreditava deixar a mente limpa para o Espírito Santo “baixar” com seu recado, de forma pura e cristalina, logo mais à noite...
Devemos reconhecer a força cultural do espiritismo e dos cultos de origem afro-ameríndia, e como eles influenciaram a percepção de espiritualidade de algumas Igrejas protestantes. O Espírito Santo, e os anjos, funcionam como espécies de “orixás evangélicos”, “baixando” sobre pastores e missionários, qual “médium protestante”. Isso sem falar em “profetas”, principalmente, “profetizas”, com suas revelações particulares sobre saúde, família e negócio, tomando o lugar simbólico das benzedeiras do catolicismo popular, das cartomantes e dos pais e mães-de-santo. Há uma forte equivalência simbólica.
Nos cultos, ou se tem os “médiuns”, ou se tem os “artistas”, que lideram o show-da-fé, no centro do palco e das atenções, promovendo o entretenimento.
C.S. Lewis denunciava as gerações que desprezam as outras do passado, supervalorizando o presente (presentismo), o que não somente atenta contra a herança apostólica e o consenso dos fiéis, vivenciado através dos séculos, mas que se pretende ser melhor, restauradora da “pureza” e outras formas de arrogância espiritual, que rompe a unidade mística da “comunhão dos santos”, conforme confessamos nos Credos.
John Stott dizia que o que fazia uma liturgia viva ou morta, fosse ela mais ou menos estruturada (não há liturgia informal, pois o “informal” é, apenas, uma outra forma) é o fato de os fiéis serem convertidos ou não, e acreditarem ou não no que se pronuncia. A entonação, os sentimentos, a fé, fazem a diferença. Foi o mesmo Stott quem disse que “um anglicano carismático não é um pentecostal”.
Somos carismáticos, porque acreditamos que não há Igreja sem o Espírito Santo, e não há presença do Espírito Santos sem carismas. Se Hans Kung disse que uma das marcas do Anglicanismo era a sua aversão a extremismos, alguém também afirmou que “na Igreja Anglicana o Espírito Santo sopra como um gentil cavalheiro”.
Somos uma Igreja que preza dois mil anos de herança litúrgica da Igreja, católica e reformada. Herança que é o conjunto do que foi, nas diversas etapas e lugares, fruto da ação do Espírito Santo nas comunidades de fé. Daí o Livro de Oração Comum – Bíblia pura, ortodoxia pura – ser uma das marcas distintivas do Anglicanismo. Os seus diversos ritos não engessam os crentes, antes o edificam, e podem ser intercalados com orações espontâneas, cantos, declamações, teatro, testemunho, em uma convergência com um presente que não rompe com o passado. Uma das maiores contribuições que a Diocese do Recife está fazendo para a maturidade da Igreja no Brasil é a edição (ora no prelo) do Livro de Oração Comum Brasileiro (LOCb).
Há quem goste de culto batista tradicional, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para adorar em uma Igreja batista. Há quem gosta de culto pentecostal “clássico”, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir, por exemplo, e adorar na Assembléia de Deus. Há quem goste do culto neo(pós) pentecostal, com apóstolos, banhos de descarrego, tirada de encostos e três recolhimentos de ofertas, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir à Igreja universal, internacional ou mundial. Agora, pelo amor de Deus, deixem o Anglicanismo em paz, com sua liberdade litúrgica, com sua diversidade, sim, mas “com ordem e decência”, com a alegria do Espírito Santo e o LOC na mão. E isso não é “anúncio de missa de sétimo dia”, para se adotar como “um doloroso dever”, mas uma adesão livre, convicta e entusiástica.
Somos uma Igreja sem mediunidade, sem estrelismo e sem showbiz, graças a Deus!
Olinda (PE), 03 de abril de 2009.
Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
sábado, 11 de abril de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Einstein e a árvore do conhecimento do bem e do mal
“Toda essa nossa tecnologia e desenvolvimento são apenas como um machado nas mãos de um demente”. — Einstein
Esta foi a afirmação de Einstein quando viu a Alemanha fanatizada pela guerra no inicio do século XX [1ª Guerra].
E o que ele viu para falar tal coisa?
Viu não apenas a Alemanha tomada pelo espírito do fanatismo racial e imperial antes de haver a manifestação mais grotesca de tal realidade, a qual veio a ganhar contornos definitivos algumas poucas décadas depois, quando veio a 2ª Guerra.
Entretanto, o que chocava Einstein era o fato que não apenas o povo caíra no fanatismo, mas também seus próprios amigos/cientistas, especialmente seu melhor amigo, que mergulhara na mesma vala.
Foi quando Einstein viu que tudo quanto começava a explodir em termos de conhecimento técnico/cientifico ia sendo imediatamente transformado em arma química, em aparatos de destruição em massa, mesmo antes da Bomba Atômica.
Ora, o que se tinha naquele tempo era ainda brincadeira se comparado ao que se tem hoje.
Einstein, todavia, viu isso antes de acontecer, por isto, indagado acerca de como seria a 3ª Guerra Mundial, ele disse: “A Terceira não sei como será. Mas a 4ª será guerreada com pedras e pedaços de pau”.
Ele anteviu o fato de que aquele conhecimento desacompanhado de consciência promoveria a Tragédia Final da Humanidade como a conhecemos.
A mesma mente que na solidão de um escritório, sem nada além de papel e lápis, pôde ver os fenômenos mais intrincados do Cosmo, apenas mediante as lógicas dos números e da intuição como experiência cientifica a ser demonstrada — também via que aquele conhecimento não tinha no homem um fundamento de paz e vida.
Ou seja:
Einstein percebeu que aquele poder de criar era o mesmo poder que descriava em escala catastrófica.
Assim, com outras palavras, Einstein afirmava a terrível realidade da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.
Isto, entretanto, parece estar fechado à percepção de muita gente; ou, se não está, o descaso, todavia, é total para com as implicações de que o mesmo poder que descobre coisas e fenômenos é também o poder que usa o que se descobre para oprimir e aniquilar.
É trágico, mas é fato:
Para cada saber humano revolucionário sempre nos aguardam aplicativos do mesmo fenômeno na direção do que seja mal.
Assim, não em razão do saber, mas em razão de quem fica sabendo [o homem], pode-se dizer que para cada maravilha haverá a sua tragédia aplicativa.
Desse modo se pode afirmar que nada é mais real acerca do homem do que sua ligação espiritual com a Arvore do Conhecimento do Bem e do Mal.
Portanto, pergunto:
Alguém ainda duvida de que Adão comeu do fruto?
Ora, a conclusão não precisa ser baseada na Bíblia, basta que apenas se leia os sinais do homem no mundo.
Em tese este foi o fenômeno mais dramático que Einstein discerniu.
Caio Fábio
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
NATAL, O GRANDE AMOR DE DEUS
A Bíblia para alguns é uma coletânea de histórias do povo judeu, para outros um livro de regras religioso, para outros um livro de ficção, para nós cristão é a Palavra de Deus!
Mas além disso, ela é a história de uma busca constante do Grande amor de Deus ao homem.
E o ponto alto da história desta busca tem seu início com o Natal, o nascimento de Jesus, o Emanuel, o Deus conosco.
É o momento da história onde Deus intervém de forma direta em nosso favor, é o momento onde o amor de Deus é derramado sobre a humanidade, totalmente e sem reservas.
Rm 5:6-11 - Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.
O texto nos fala que por alguém “bom” talvez alguém até se anime a morrer em seu lugar, se eu perguntasse aqui, quem é mãe ou pai provavelmente diria que morreria no lugar de seu filho.
Mas o texto vai além e nos diz que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores, ou seja, inimigos de Deus, separados de Deus.Ele ultrapassa todas as barreiras e nos alcança com seu grande amor.
Natal é saber que somos amados, é saber que somos especiais, é saber que somos importantes.
Natal é saber que Deus nunca desistiu de nós, é saber que Jesus ainda continua a porta de nossos corações a bater, e aquele que abrir, ele entrará e fará de sua vida uma grande festa, um grande banquete, você ceiará com Ele e Ele contigo – Ap. 3:20.
Ainda Natal é lembrar que Ele pagou um altíssimo preço por nos amar tanto assim e precisamos por amor Dele, pagar um preço a cada dia e amar as pessoas pelas quais Ele deu sua vida.
Natal é dia de nos sentir verdadeiramente amados, é dia de saber que você é a pessoa mais amada em todo universo.
A Deus toda glória!
Mas além disso, ela é a história de uma busca constante do Grande amor de Deus ao homem.
E o ponto alto da história desta busca tem seu início com o Natal, o nascimento de Jesus, o Emanuel, o Deus conosco.
É o momento da história onde Deus intervém de forma direta em nosso favor, é o momento onde o amor de Deus é derramado sobre a humanidade, totalmente e sem reservas.
Rm 5:6-11 - Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.
O texto nos fala que por alguém “bom” talvez alguém até se anime a morrer em seu lugar, se eu perguntasse aqui, quem é mãe ou pai provavelmente diria que morreria no lugar de seu filho.
Mas o texto vai além e nos diz que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores, ou seja, inimigos de Deus, separados de Deus.Ele ultrapassa todas as barreiras e nos alcança com seu grande amor.
Natal é saber que somos amados, é saber que somos especiais, é saber que somos importantes.
Natal é saber que Deus nunca desistiu de nós, é saber que Jesus ainda continua a porta de nossos corações a bater, e aquele que abrir, ele entrará e fará de sua vida uma grande festa, um grande banquete, você ceiará com Ele e Ele contigo – Ap. 3:20.
Ainda Natal é lembrar que Ele pagou um altíssimo preço por nos amar tanto assim e precisamos por amor Dele, pagar um preço a cada dia e amar as pessoas pelas quais Ele deu sua vida.
Natal é dia de nos sentir verdadeiramente amados, é dia de saber que você é a pessoa mais amada em todo universo.
A Deus toda glória!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
A ética que impressiona os descrentes
Por ocasião do Sínodo dos Bispos, realizado em Roma, em outubro de 2008, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, salientou que os católicos da América Latina que se convertem ao protestantismo, imediatamente, “mudam o modo de se comportar, pois assumem um digno comportamento moral, deixando tudo o que parece indigno na nova vida de crentes”. O prelado católico acrescentou a informação de que “a Palavra que [eles] escutam é formativa para sua vida, alimenta seus espíritos e testemunha os valores religiosos que agora interiorizam”.
Tomara que esse reconhecimento de Dom Walmor volte a mexer com a igreja evangélica brasileira em priorizar a pregação do novo nascimento, experiência religiosa que leva o pecador a adotar estilo de vida oposto ao anterior, pois “se alguém está em Cristo, é nova criatura”, já que as coisas antigas ficaram para trás e tudo se fez novo (2Co 5.17).
Numa reunião realizada no Rio de Janeiro, em novembro de 1868, Ashbel G. Simonton, o pioneiro da Igreja Presbiteriana do Brasil, declarou que a implantação e o crescimento do evangelho no país dependia antes de tudo do seguinte: “A santidade da igreja deve ser ciosamente mantida no testemunho de cada crente”. Agora, em novembro de 2008, em entrevista à revista Igreja, o biblista batista Luiz Sayão volta a falar sobre o testemunho dos crentes: “Para termos pastores, educadores e outros líderes cristãos responsáveis, precisamos enfatizar três pontos: o ensino das Escrituras, a experiência profunda com Deus e a ética que impressiona os descrentes”.
Elben M. Lenz César
Editor Ultimato
Tomara que esse reconhecimento de Dom Walmor volte a mexer com a igreja evangélica brasileira em priorizar a pregação do novo nascimento, experiência religiosa que leva o pecador a adotar estilo de vida oposto ao anterior, pois “se alguém está em Cristo, é nova criatura”, já que as coisas antigas ficaram para trás e tudo se fez novo (2Co 5.17).
Numa reunião realizada no Rio de Janeiro, em novembro de 1868, Ashbel G. Simonton, o pioneiro da Igreja Presbiteriana do Brasil, declarou que a implantação e o crescimento do evangelho no país dependia antes de tudo do seguinte: “A santidade da igreja deve ser ciosamente mantida no testemunho de cada crente”. Agora, em novembro de 2008, em entrevista à revista Igreja, o biblista batista Luiz Sayão volta a falar sobre o testemunho dos crentes: “Para termos pastores, educadores e outros líderes cristãos responsáveis, precisamos enfatizar três pontos: o ensino das Escrituras, a experiência profunda com Deus e a ética que impressiona os descrentes”.
Elben M. Lenz César
Editor Ultimato
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