segunda-feira, 7 de abril de 2008

Como queria voltar ao Jardim da Inocência

Em minha juventude, gostava de como dizemos aqui em Goiás “gambirar” coisas (comprar, vender, trocar), mas a verdade é que nunca levei jeito para tal. Na maior parte dos negócios não me saia muito bem, o prejuízo era quase certo.

Depois que o negócio estava concluído e já havia passado o calor e empolgação a ficha começava cair e passava a enxergar o cenário com um olhar mais racional e menos passional como no calor do negócio, e de conseqüência me sobrava o arrependimento na maioria das vezes.

Ao ler o relato das conseqüências da queda em Gênesis 3:17-24 percebo que Adão caiu no mesmo erro:
E ao homem declarou O Senhor:
“Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade. O SENHOR Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher. Então disse o SENHOR Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”. Por isso o SENHOR Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado. 24 Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida."

Adão troca o bem mais precioso do universo por nada, por uma ilusão oferecida pelo inimigo a sua mulher. Adão envolvido pela situação, no calor do negócio não pensa e faz a pior “gambira” de sua vida.
Ele troca a presença e comunhão de Deus por um fruto, ele troca o desfrutar da presença de Deus na viração do dia, do caminhar com O Senhor, do ouvi-lo bem de perto, do sentir seu caloroso amor por uma ilusão passageira.

O pior é que não temos o costume de aprender com os erros dos outros, principalmente o erro de alguém que está a milhares de anos de nós. Dificilmente aprendemos com os erros daqueles que estão a nossa volta, dizemos isso nunca aconteceria comigo, mas a realidade nos mostra que não é bem assim.

A pergunta hoje é o que tem sido o fruto, o objeto, a posição, o cargo, o salário, o prazer etc, que tem me seduzido a ponto de fazer um negócio tão prejudicial como o de Adão, trocar a única coisa que realmente importa, a presença de nosso Deus e sua comunhão por nada?

Tento imaginar o que passou na mente de Adão nos dias seguintes ao fato, com certeza ele pensou a que saudade, a que vontade de voltar ao “Jardim da Inocência”...

A Deus toda Glória

Texto escrito inspirado na música de Paulo César Baruk, Jardim da Inocência.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Meu nome não é Jhonny...

Fui ao cinema este fim de semana assistir o filme brasileiro Meu nome não é Jhonny, ele conta a história de um jovem de classe média de São Paulo que se envolve com drogas e inicia sua vida no tráfico se tornando um grande traficante entre a classe média.

O legal do filme é que ao ser pego e julgado a juíza tem uma grande sensibilidade com relação ao rapaz e seu depoimento e ao invés de lhe mandar para uma cadeia por mais de 10 anos ela o envia para um centro de recuperação pos dois anos, acreditando em sua recuperação, e é exatamente isso o que acontece, o rapaz se recupera deixa as drogas e a vida no crime e hoje é um bom cidadão.

Mas você deve estar se perguntando e daí? Qual moral da história?

A questão é que “Meu nome também não é Jhonny”, e em um belo dia de minha vida um outro Juiz acreditou que havia jeito para mim, mas não era um juiz qualquer, era o Senhor e Juiz Jesus Cristo.

A minha vida não chegou aos extremos da vida do personagem João Guilherme, não mergulhei tão fundo neste horrendo mundo, mas trilhei um bom tempo bem perto dele, e no momento em que praticamente ninguém mais acreditava que iria virar algo que preste, Ele acreditou em mim, e Ele continua acreditando nos Joãos Guilhermes da vida, nos Niltons, nos Pedros, José, Maria, Ana...

Apesar de muitas vezes nós desistirmos com tanta facilidade das pessoas, de menosprezar achando que esse não tem jeito mais, Ele nunca desistiu de nós, pelo contrario, Ele acreditou no pior momento de nossas vidas, o momento em que já estávamos tão perdidos que éramos inimigos Dele.

Ele acreditou em mim, acreditou em você e é por isso que hoje somos reabilitados ao convívio com Aquele é Santo, Santo, Santo, tanto hoje como sempre.

Obrigado Senhor Jesus, por ter acreditado em mim quando nem mesmo eu acreditava.

A Deus toda Glória

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Basta ao discípulo ser como o seu mestre

Mateus 10:25a – “Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor...”

Um amigo me enviou um link para o site de um pastor que seria preletor de um congresso no qual ele iria tocar.
Ao acessar o site me deparei com a seguinte frase ao lado de uma enorme e produzida foto do mesmo: “Pastor fulano de tal, ele ora e os mortos se levantam...”, confesso que ao ler aquilo um mal estar tomou conta de mim.
Antes quem ressuscitava os mortos era Jesus, e em boa parte de seus milagres Ele pedia segredo.

Basta ao discípulo ser igual ao seu mestre, me parece que este verso caducou, expirou seu prazo de validade, a sua nova versão é:
“Seja tão bom a ponto de nunca lembrarem quem foi seu mestre”.
Houve uma inversão do discurso de João: “Jo 3:30 - É necessário que ele cresça e que eu diminua.”, por (me perdoem a revolta),
que Ele si incline para que eu o use de escada.

O Anuncio não é sobre o que Jesus é ou o que Ele pode fazer em favor da miséria humana e sim sobre homens que usam deste inefável nome para sua autopromoção.

Devo confessar, isso mexeu comigo, mexeu a ponto de subir um frio melancólico por minha coluna, um súbito medo tomou conta de mim e me lembrei de uma frase proferida pelo Dr. Ronaldo Cavalcante no lançamento de seu livro:
“As futuras gerações olharam para este período da igreja com a mesma visão que olhamos hoje para a da idade média.”

Acredito que este quadro está sendo pintado pela igreja brasileira, e o que fazer para mudar as cores obscuras deste quadro? Como mudar o fim desta triste história?

Contentar-nos com a posição de ser como o nosso mestre, e o servo, como o seu senhor, entender que é Dele a honra, a glória e o poder, e se existir algum valor em nós é Ele quem vai nos exaltar.

A Deus toda glória

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A liberdade que nos torna cativos...

Mc. 5:1-20 “... Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o homem que fora possesso da legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo; e ficaram com medo. Os que estavam presentes contaram ao povo o que acontecera ao endemoninhado, e falaram também sobre os porcos...”.

O início do texto nos apresenta a triste história de um homem escravizado e cativo por satanás. Um homem descriminado, que vivia a margem da sociedade, sem nenhuma perspectiva de vida, pois o que tinha era na melhor das hipóteses uma sobrevida e muito sofrida. Mostra que este homem caminhava para a morte, não só física mais espiritual, pois além de agredir a si mesmo e viver em repetidas contendas com a população local sua vida espiritual estava entregue nas mãos de satanás.

Mas a partir do verso seis sua história que estava praticamente traçada rumo à desgraça eterna começa a mudar, no momento em que ele encontra com outro Homem.
Não um homem qualquer e sim “Jesus, O Filho do Deus Altíssimo”, e com este encontro a vida deste homem é transformada e o quadro de sua história muda como é descrito no verso 15 citado acima.
Jesus liberta este homem, lhe restitui a dignidade, o domínio próprio, o juízo e lhe concede nova vida.

É assim que acontece conosco hoje quando encontramos com o Senhor Jesus, Ele opera em nós todas estas maravilhas, nos liberta, restaura, nos coloca em posição de honra etc. Mas o mais intrigante e fascinante é que esta liberdade que Ele nos concede é a mesma que nos torna cativos a Ele. O homem no texto de marcos não sai daquele lugar e vai embora curtir sua liberdade, ao contrário, clama para que possa ficar com Jesus, ele quer estar com Ele, a serviço d’Ele, e Jesus diz não, vai e anuncia aos seus tudo que o Senhor lhe fez, e este homem como um bom servo vai e não se contenta em anunciar somente entre os seus, mas a toda cidade, e à medida que ia fazendo as pessoas se admiravam com o poder de Jesus.

A grande diferença é que este “cativeiro” não é imposto por grilhões e cadeias, não por força nem por poder, mas o que acontece é que somos constrangidos por tamanho amor a querer estar perto e servi-lo, a amá-lo a ponto de nos entregar ao seu querer, sabendo que estamos debaixo das mãos de um Deus que não é só amoroso, mas é o próprio amor.

É impossível para aquele que contempla tão grande salvação virar as costas e sair forro da presença de tão maravilhoso Senhor.

A Deus toda glória

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Ainda que a vide não floreça...

“SENHOR, ouvi falar da tua fama; tremo diante dos teus atos, SENHOR. Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo; em tua ira, lembra-te da misericórdia.” Hc. 3:2

“Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras”: Talvez este seja o desejo de muitos de nós hoje, ante o meio em que vivemos e de tantas coisas trágicas, miséria, incredulidade, maledicência, perseguição etc...

Observamos que muitos se entregam a uma busca de um mover miraculoso por parte de Deus como em alguns episódios bíblicos ao ponto de se tornarem cegos até mesmo ao que a própria palavra nos revela sobre certas circunstâncias.

Esta busca muitas vezes tem levado pessoas inocentes e fragilizadas ao encontro de homens no mínimo enganados em suas crenças para não dizer de má fé em boa parte das vezes.
Homens estes que prometem o que a palavra de Deus não promete, falando em nome de Deus coisas que Ele nunca disse, invertendo o “Assim diz o Senhor” pelo “Assim ME disse o Senhor”, lobos em pele de cordeiro que enganam até mesmo os salvos, homens que torcem a verdade a fim de atrair as pessoas (At. 20:28-30).

Os sinais, as bênçãos, os milagres são mercadejados por tais homens cujo único compromisso que têm é com a própria glória.

Tais homens têm levado inúmeras pessoas a si decepcionarem com a graça salvadora de Nosso Senhor Jesus Cristo, por lhes apresentar um falso evangelho, e isso não é novo, observamos a veemência com que o apostolo Paulo combate tantas distorções que vão surgindo no seio da igreja tais como: docetismo, arianismo, apolinarianismo, gnosticismo etc, tudo isso por uma cristologia prejudicada.

Deus ainda realiza milagres? Ainda opera de forma miraculosa? A resposta é sim, Ele ainda o faz, e tivemos a poucos dias uma grande prova disso, a cura da filha de nosso irmão e pastor Leonardo, desenganada pelos médicos, mas totalmente acreditada por Deus. Ele ainda faz!!!

O que temos que lembrar é que a glória é Dele, a honra é Dele, a força e o poder é Dele e que se algum homem tenta usar disso e quer aparecer mais do o nosso Deus é sinal que por trás desta ovelha pode haver um grande lobo.

Vamos lembrar sempre que: “Mesmo não florescendo a figueira, e não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no SENHOR e me alegrarei no Deus da minha salvação. O SENHOR, o Soberano, é a minha força; ele faz os meus pés como os do cervo; faz-me andar em lugares altos.” (Hc. 3:17-19)

Mesmo que não haja ações miraculosos, prodígios e sinais, o Nosso Deus continua atento ao clamor de seu povo (Sl. 10:17; 69:33) e não precisamos ficar atrás daqueles que negociam com o poder de Deus.

A Deus toda a glória...